Games entram no debate eleitoral entre Flávio Bolsonaro e Lula
O mercado brasileiro de games movimenta cerca de R$ 12 bilhões por ano e alcança 75,3% da população, segundo os dados apresentados no texto. Com a aproximação das Eleições 2026, o setor também passou a aparecer nas campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora com propostas e níveis de detalhamento diferentes.
Games ganham espaço no debate político
Os jogos eletrônicos já fazem parte de debates relacionados à cultura, economia, direitos do consumidor e proteção de crianças e adolescentes.
Em 2026, o ECA Digital colocou o setor novamente no debate público, especialmente por causa das regras voltadas à proteção de menores em ambientes digitais e aos sistemas de recompensas, como as loot boxes.
O fim da mídia física também gerou discussões sobre direitos dos consumidores. A Sony anunciou que deixará de produzir e comercializar novos jogos de PlayStation em mídia física a partir de 2028, provocando debates sobre preservação e acesso aos jogos.
Nesse cenário, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro apresentam posições diferentes sobre a indústria.
Flávio Bolsonaro cita games, mas não detalha política para o setor
O plano de governo de Flávio Bolsonaro não apresenta uma política específica para games, desenvolvedoras ou eSports.
O setor aparece de maneira indireta no capítulo dedicado à cultura. O documento propõe mudanças nas leis de incentivo e a descentralização dos recursos culturais.
A proposta defende o aperfeiçoamento das leis de incentivo, com o objetivo de favorecer o desenvolvimento de outros polos regionais e alcançar artistas com pouca projeção.
O programa também afirma que a política cultural deve ser orientada pela transparência, pela liberdade de expressão e pela distinção entre cultura e entretenimento comercial.
Apesar dessas referências, o plano não menciona especificamente os jogos eletrônicos como indústria ou linguagem cultural.
Candidato faz aceno ao público gamer durante campanha
Fora do plano de governo, Flávio Bolsonaro abordou diretamente o setor durante o Dia do Gamer, em 29 de agosto.
Na ocasião, a campanha lançou o jogo “Tesouraço”, e o candidato afirmou que pretende apoiar o mercado de games e os profissionais da área.
“Na minha gestão, eu quero incentivar esse mercado, quero apoiar quem desenvolve e empreende no setor e criar condições para que o Brasil seja cada vez mais competitivo nessa indústria.”
A declaração apresenta uma intenção de incentivo ao segmento, mas, segundo o levantamento utilizado como base, não foi acompanhada de medidas detalhadas sobre como essa política seria implementada.
Lula apresenta propostas específicas para games
O plano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva apresenta mais referências diretas à indústria de games.
O documento aborda os jogos eletrônicos sob perspectivas culturais e econômicas, além de tratar da proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
Entre as propostas está a continuidade da implementação do ECA Digital, com medidas de proteção no ambiente online e regulamentação das plataformas de jogos e dos ambientes digitais.
O plano afirma:
“Não recuaremos um passo sequer na proteção digital de crianças e adolescentes, com aprimoramento do ECA Digital, regulamentação do uso de telas por faixa etária, promoção do uso seguro das tecnologias e regulamentação das plataformas de jogos e dos ambientes digitais.”
O ECA Digital, instituído pela Lei nº 15.211/2025, estabeleceu regras específicas para plataformas digitais e jogos eletrônicos. Entre elas estão medidas relacionadas às loot boxes e à proteção de crianças e adolescentes.
Plano também relaciona games à economia criativa
A proposta de Lula também apresenta os games como parte da economia criativa e destaca medidas adotadas durante o governo.
O documento cita o Marco Legal dos Games, aprovado em 2024, e afirma que a legislação reconheceu os jogos eletrônicos como criações culturais e permitiu o acesso do setor a mecanismos de fomento.
O plano também menciona a criação de uma classificação específica para o segmento na CNAE e a inclusão dos profissionais de games na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) em março de 2026.
A candidatura define o setor como estratégico para a economia criativa, destacando a geração de empregos, especialmente para jovens, e o potencial de projeção internacional.
Lula volta a falar sobre games durante a campanha
Além do plano de governo, Lula voltou a abordar o setor durante entrevista ao podcast Desce a Letra, em 16 de setembro.
Em publicação nas redes sociais, o candidato afirmou que o Brasil possui mais de 100 milhões de jogadores e que o mercado movimenta R$ 13 bilhões por ano.
“Somos potência mundial nos games e e-Sports. São mais de 100 milhões de jogadores e um setor que movimenta R$ 13 bilhões por ano no Brasil.”
Lula também citou o Marco Legal dos Games, a inclusão dos profissionais na CBO e a criação da Diretoria de eSports no Ministério do Esporte.
A proposta apresentada pelo candidato é manter investimentos no segmento e ampliar a relação entre games, inovação, emprego e economia criativa.