Filme feito com inteligência artificial desafia superprodução de Christopher Nolan sobre Odisseu
A startup Fountain O anunciou “Odysseus: The Fall”, seu segundo longa-metragem produzido com inteligência artificial. Dirigido por Ash Koosha, o filme apresenta uma nova interpretação da jornada de Odisseu e chega para disputar atenção com “A Odisseia”, épico de Christopher Nolan, que estreia nos cinemas em 17 de julho com orçamento estimado em US$ 250 milhões.
Após estrear no Festival de Tribeca com “Dreams of Violets”, longa produzido com IA que custou cerca de US$ 2 mil, Ash Koosha retorna com um projeto mais ambicioso. “Odysseus: The Fall” tem 135 minutos de duração e foi desenvolvido com um orçamento de dezenas de milhares de dólares, ainda muito abaixo dos padrões das grandes produções de Hollywood.
A proposta da Fountain O é demonstrar o potencial da inteligência artificial na produção cinematográfica. No filme, atores, cenários e câmeras foram substituídos por modelos de IA, enquanto o roteiro, a direção criativa, a composição das imagens e a dublagem dos personagens permaneceram sob responsabilidade da equipe liderada por Koosha.
Segundo a sinopse oficial, a narrativa acompanha uma versão mais introspectiva de Odisseu, retratando “a memória fragmentada de um homem se afogando em seus últimos momentos”. Em vez de celebrar o retorno heroico do personagem, a história explora culpa, arrependimento e perdão.
Ash Koosha afirmou que o objetivo não é competir diretamente com Christopher Nolan, mas incentivar o público a conhecer diferentes formas de produzir cinema.
“Esperamos sinceramente que o filme de Christopher Nolan, ‘A Odisseia’, seja um enorme sucesso de bilheteria e que, de alguma forma, nossa versão da jornada de Odisseu possa contribuir para esse sucesso, levando aos cinemas aqueles que talvez não assistissem ao filme de outra forma, simplesmente por curiosidade em ver a obra-prima da criação humana e compará-la à colaboração de um homem com a inteligência artificial”, afirmou.
O diretor também defendeu que a inteligência artificial deve ser encarada como uma ferramenta para ampliar o acesso à produção audiovisual, e não como uma substituta da criatividade humana.
“Uma ferramenta nunca fez um filme valer a pena assistir. Uma pessoa com algo urgente a dizer fez todos eles, e isso não vai mudar, independentemente do que ela esteja segurando quando disser isso”, disse Koosha.
A produção utilizou diferentes modelos de inteligência artificial. Entre eles estão o Kling, responsável pela geração das cenas; o Google Nanobanana, para criação de imagens e quadros-chave; o Claude AI, na edição de linguagem; o Google Gemini, na pesquisa do projeto; além da tecnologia proprietária da Fountain O para posicionamento dos personagens, composição das cenas e modelagem dos ambientes.
O produtor executivo Tom Rogers afirmou que lançar o filme no mesmo período da adaptação de Christopher Nolan permitirá ao público comparar duas abordagens distintas de um mesmo clássico da literatura.
“Queríamos fornecer uma base de comparação no mesmo período com um filme vindo de um dos diretores mais reverenciados do mundo, para que os cinéfilos pudessem entender melhor o nível em que a IA já é capaz de contribuir para a produção cinematográfica”, afirmou.
Já Pooya Koosha, produtor e pós-produtor do longa, destacou o papel das novas ferramentas de IA na evolução do projeto.
“Não temos palavras suficientes para elogiar o modelo de IA Kling. A cada filme descobrimos novas técnicas que colocam nossa produção na vanguarda de como um longa com inteligência artificial pode ser criado”, declarou.
Enquanto “A Odisseia”, de Christopher Nolan, contará com um elenco formado por Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, Robert Pattinson, Charlize Theron, Lupita Nyong’o e outros nomes de destaque, “Odysseus: The Fall” seguirá um caminho independente.
Até o momento, a Fountain O não fechou acordo com distribuidoras ou plataformas de streaming. Assim como aconteceu com “Dreams of Violets”, o novo longa será disponibilizado diretamente no site da empresa por US$ 9,99 em formato de aluguel. “Dreams of Violets” estreia na plataforma em 17 de julho, enquanto “Odysseus: The Fall” será lançado ainda durante o verão no hemisfério norte.