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Coletivo Manas do Mato fortalece mulheres no grafite com oficina em Cuiabá

O coletivo Manas do Mato promoveu, no último sábado (23.05), uma oficina de grafite voltada à valorização da arte urbana e ao fortalecimento da presença feminina na cena cultural periférica. A atividade ocorreu em parceria com o Instituto Jejé de Oyá, em Cuiabá, e reuniu participantes de diferentes idades para vivências práticas, debates históricos e produção artística coletiva.

A oficina foi conduzida pela grafiteira Danieli Cidram Berger, conhecida artisticamente como DCID, integrante do coletivo e organizadora da batalha de rima Rap é Compromisso. Segundo ela, a proposta surgiu a partir de um convite do instituto, que já mantém parceria com o grupo em outras ações culturais.

“A ideia foi mostrar que a arte não pertence só aos museus. O grafite aproxima as periferias da produção artística e também dá voz às pessoas que muitas vezes não são ouvidas”, afirmou DCID.

Durante a atividade, os participantes conheceram a história do grafite, discutiram a presença feminina na arte urbana e criaram suas próprias tags, assinaturas artísticas usadas na cultura do grafite. A oficina terminou com intervenções nas paredes do espaço.

DCID destacou que a atividade também buscou recuperar a memória de mulheres que fizeram parte da construção histórica do grafite, mas acabaram invisibilizadas em uma cena tradicionalmente dominada por homens.

“O coletivo existe para fortalecer umas às outras. A rua ainda é um espaço que muitas vezes é negado às mulheres, e juntas conseguimos ocupar esse lugar com segurança, arte e apoio”, disse.

Atualmente, o coletivo Manas do Mato reúne cerca de 30 mulheres entre artistas iniciantes e grafiteiras experientes. Segundo Isabelle Mendes França, participante do movimento, conhecida como Yzy, o grupo atua como uma rede de acolhimento, troca de técnicas e fortalecimento coletivo.

“A proposta é mostrar que existem muitas mulheres no grafite. Quando pintamos juntas, mostramos nossa força e incentivamos outras meninas a ocuparem esses espaços também”, afirmou.

Além do aspecto artístico, as integrantes defendem o grafite como ferramenta de transformação social nas periferias. Para elas, a arte urbana ajuda a chamar atenção para espaços abandonados e comunidades historicamente invisibilizadas.

“A gente leva cor para lugares esquecidos. Muitas vezes, depois que um espaço recebe arte, as pessoas passam a olhar diferente para aquele lugar e para quem vive ali”, explicou Yzy.

As artistas também ressaltam o impacto emocional do grafite na rotina das cidades. Segundo relatos recebidos pelo coletivo, as pinturas ajudam a transformar o humor e a relação das pessoas com os espaços urbanos.

“O grafite aquece o coração das pessoas. Pintar também é terapêutico. Nossa arte comunica resistência, afeto e pertencimento”, completou.

O coletivo Manas do Mato atua em ações culturais voltadas à arte urbana, formação artística e fortalecimento da cultura periférica em Mato Grosso.

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