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Homem mascarado é alvo de polêmica durante Bienal do Livro de SP

Relatos publicados nas redes sociais após a 28ª Bienal do Livro de São Paulo levantaram suspeitas sobre um homem que participou de interações com visitantes no estande da Editora Fruto Proibido. Mascarado com uma versão inspirada no personagem Ghostface, ele fazia parte de uma ação relacionada ao universo de livros de dark romance. Após a divulgação de imagens, outras pessoas afirmaram reconhecê-lo e compartilharam relatos sobre supostas abordagens e conversas com adolescentes.

A Bienal ocorreu entre sexta-feira (4/9) e domingo (6/9), em um pavilhão de exposições na zona sul de São Paulo. Durante o evento, homens mascarados representavam personagens ligados ao universo das obras, abordavam visitantes e participavam de vídeos e outras interações.

Relatos começam a circular nas redes sociais

Após a ação, vídeos e relatos publicados por participantes passaram a circular nas redes sociais. Algumas publicações descrevem interações de caráter sensual com os homens mascarados.

A repercussão aumentou depois que outras pessoas afirmaram reconhecer um dos integrantes e relataram experiências anteriores que teriam ocorrido fora da Bienal. Entre as alegações estão supostas interações de natureza sexual com adolescentes.

Uma participante afirmou ter sido abordada pelo homem durante a própria Bienal. Segundo o relato, ele a chamou para gravar um vídeo e, durante a gravação, teria encostado nela contra uma parede e realizado a filmagem de maneira sensual.

A mulher disse que, naquele momento, levou a situação na brincadeira. Depois, porém, teria descoberto que o homem mantinha um grupo no WhatsApp com adolescentes que interagiam com a persona criada por ele.

Outra pessoa afirmou ter conhecido o homem em um clube de leitura de dark romance no início de 2025. Segundo ela, ele ajudava na divulgação do grupo e interagia com os participantes.

Ainda conforme o relato, algumas dessas interações teriam evoluído para flertes. A publicação também menciona supostos grupos privados e festas com pessoas mais jovens e cita a existência de um grupo formado por adolescentes que seria administrado pelo homem.

A autora também questionou a idade informada pelo homem. Segundo ela, ele teria apresentado idades diferentes em momentos distintos e, atualmente, afirmaria ter 30 anos.

Relato menciona adolescentes e festa

Uma das mulheres que publicou os relatos conversou com o Metrópoles sob condição de anonimato. Ela afirmou ter reconhecido o rosto de um dos mascarados presentes na Bienal e disse acreditar que se tratava do mesmo homem sobre quem já havia relatado experiências anteriores.

Segundo ela, o contato começou cerca de três anos atrás, quando um amigo, que tinha entre 16 e 17 anos na época, recebeu uma mensagem do homem pelo WhatsApp. Os dois participavam de um grupo relacionado a festas.

Depois, de acordo com a mulher, o homem também passou a conversar com ela e com uma amiga que tinha 15 anos.

“Ele vendeu o evento como sendo algo incrível pra nós. Ele usou nosso amigo para convencer nós, meninas, a irmos”, contou.

Ela afirmou que o homem tentou convencê-las a participar de uma festa em uma chácara no interior de São Paulo. Na época, as três eram adolescentes.

A mulher disse que chegou a considerar participar, mas desistiu e convenceu as amigas a não comparecerem. Segundo o relato, posteriormente elas teriam ficado sabendo da existência de drogas e de espaços destinados a relações sexuais no local.

O que é dark romance?

Dark romance é um gênero de ficção voltado ao público adulto. As histórias costumam ser indicadas para maiores de 18 anos e podem abordar temas sensíveis.

As tramas frequentemente envolvem relações intensas, obsessão, violência, poder, conflitos e situações moralmente complexas. Dentro da ficção, esses comportamentos fazem parte das narrativas e dos personagens.

O gênero ganhou espaço especialmente em plataformas como TikTok e Instagram, onde leitores compartilham resenhas, recomendações e conteúdos relacionados aos livros.

A popularidade também impulsionou ações temáticas, fantasias e personagens inspirados nas obras em eventos voltados aos fãs.

Bienal afirma que ação não era oficial

Em nota, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo afirmou que o episódio ocorreu dentro do estande de um expositor, mas não fazia parte da programação nem de uma ação oficial promovida ou autorizada pela organização.

Segundo a organização, assim que tomou conhecimento do caso, a equipe notificou a editora responsável pelo estande.

A Bienal afirmou ainda que não compactua com condutas inadequadas dirigidas ao público e reforçou o compromisso de manter um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para visitantes, expositores, autores e demais participantes.

Editora nega contratação dos mascarados

A Editora Fruto Proibido afirmou que não contratou, convidou ou solicitou a presença dos homens mascarados no estande durante a Bienal.

Segundo a empresa, a equipe não sabia quem estava por trás das máscaras e desconhecia, naquele momento, os fatos posteriormente relatados nas redes sociais.

A editora informou que a presença dos mascarados ocorreu de forma espontânea e foi inicialmente interpretada como uma interação descontraída com o público. A equipe chegou a fazer fotos e vídeos com visitantes, incluindo as pessoas mascaradas.

De acordo com a empresa, a equipe passou a pedir a identificação dos envolvidos somente quando percebeu que a situação havia ganhado outra proporção.

A Fruto Proibido declarou que não compactua nem endossa eventuais atitudes atribuídas às pessoas por trás das máscaras, especialmente aquelas que, segundo a editora, eram desconhecidas no momento dos registros.

A empresa lamentou a repercussão do episódio e afirmou que pretende reforçar os cuidados em eventos, com critérios mais rigorosos para interações e gravações realizadas dentro do estande.

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