Especialista alerta que avanço da IA está afetando cérebro humano rapidamente
O avanço acelerado da inteligência artificial pode estar causando impactos profundos no cérebro humano, segundo o neurocientista e CEO da Neura, André Cruz. Em entrevista ao Podcast Canaltech, nesta sexta-feira (8), ele afirmou que a velocidade das transformações tecnológicas supera a capacidade fisiológica de adaptação das pessoas, aumentando problemas como burnout, déficit de atenção e dependência digital.
De acordo com o especialista, ”o excesso de estímulos, informações e conexões simultâneas cria uma demanda constante por dopamina”, dificultando a concentração e reduzindo a profundidade do processamento mental. Para ele, o cérebro humano começa a depender cada vez mais de respostas rápidas fornecidas pela tecnologia.
Cruz também alerta para impactos na memória de longo prazo. Segundo ele, o acesso instantâneo às informações diminui a necessidade biológica de retenção, favorecendo uma “superficialidade cognitiva” que afeta aprendizado e raciocínio.
No campo social, o especialista avalia que o crescimento das interações com inteligência artificial pode enfraquecer aspectos importantes da convivência humana, como empatia e senso de pertencimento. Ele acredita que a dependência excessiva da tecnologia pode gerar riscos relacionados à manipulação cognitiva e à perda gradual da identidade individual.
O debate já influencia decisões governamentais. A China tornou obrigatório o ensino de inteligência artificial nas escolas primárias e secundárias desde setembro de 2025. Para Cruz, a medida ajuda crianças a desenvolverem familiaridade com a tecnologia desde cedo.
No mercado de trabalho, ele defende que empresas utilizem a IA como ferramenta de apoio, e não como substituta do ser humano. O especialista também demonstrou apoio às interfaces cérebro-computador, como as desenvolvidas pela Neuralink, destacando o potencial da tecnologia para restaurar capacidades físicas e ampliar funções cognitivas.
Apesar das preocupações, Cruz acredita que a neuroplasticidade permitirá que o cérebro humano se adapte às mudanças tecnológicas. Segundo ele, a grande questão será o custo e a velocidade dessa adaptação.