Proteína polilaminina de Tatiana Sampaio avança para testes clínicos
A polilaminina, proteína desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), inicia sua fase 1 de testes clínicos após autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A substância foi criada para estimular a regeneração de neurônios rompidos em lesões medulares graves. Agora, será avaliada quanto à segurança em cinco pacientes com lesão completa na região torácica.
Tatiana Sampaio estuda a laminina há quase três décadas. A partir dessa proteína natural do corpo humano, especialmente presente na placenta, sua equipe desenvolveu a polilaminina, uma versão estruturada em laboratório para atuar como suporte físico ao crescimento dos axônios, estruturas do neurônio que se rompem quando ocorre uma lesão na medula.
Segundo a pesquisadora, a laminina já é conhecida por seu papel essencial no desenvolvimento do sistema nervoso. A hipótese foi potencializar essa função em um formato mais estável e organizado, capaz de criar uma espécie de “andaime biológico” no local da lesão. Em modelos experimentais com animais, os resultados mostraram crescimento consistente de axônios.
Em um estudo preliminar com oito pacientes com lesões completas, seis apresentaram algum grau de recuperação de movimentos. Dois morreram em decorrência da gravidade das lesões. O trabalho foi divulgado como pré-print e ainda não passou por revisão independente. Para Tatiana, os dados indicam um sinal promissor, mas não permitem conclusões definitivas sobre eficácia.
A fase 1 agora aprovada tem foco exclusivo na segurança. Caso a substância seja considerada segura, o estudo seguirá para as fases seguintes, que avaliarão a eficácia em grupos maiores. A expectativa é reunir dados clínicos robustos até 2028, quando poderá ser solicitado o registro definitivo do tratamento.
Tatiana Sampaio defende cautela no uso fora de protocolos científicos. Embora reconheça o aspecto humano envolvido em decisões judiciais que liberam o acesso ao tratamento experimental, ela ressalta que apenas estudos controlados podem confirmar o real potencial da proteína.
Hoje, não existe tratamento capaz de restaurar plenamente movimentos em casos de lesão medular completa. É nesse cenário que a polilaminina, fruto de décadas de pesquisa lideradas por Tatiana Sampaio, passa a ocupar um espaço relevante no debate científico brasileiro.