Documentário revisita Aldeia Velha e história invisibilizada de Chapada Guimarães
O documentário Imagens e Memórias da Aldeia Velha – O Paraíso Imaginário de Chapada dos Guimarães será lançado no dia 24 de janeiro de 2026, às 19h30, na Sala da Memória. Dirigido pelo cineasta cuiabano Luiz Borges, o filme apresenta uma leitura inédita da formação histórica de Chapada dos Guimarães a partir das vivências de moradores comuns. A produção tem 22 minutos e reúne arquivos e relatos audiovisuais construídos ao longo de quatro anos de pesquisa acadêmica.
Diferente da narrativa oficial baseada em documentos institucionais, o filme prioriza memórias de moradores da Aldeia Velha, bairro onde a cidade teve origem. Quilombolas, colonos do Sul e migrantes identificados como hippies compartilham experiências que revelam conflitos culturais, disputas territoriais e diferentes visões sobre desenvolvimento e preservação ambiental.
O documentário aborda especialmente o período a partir da década de 1970, quando Chapada dos Guimarães recebeu fluxos intensos de migração. Afrodescendentes expulsos pelo avanço das fazendas, colonos vindos de projetos fracassados no Norte do Estado e jovens de grandes centros urbanos ajudaram a construir a ideia de Chapada como território sagrado, gerando tensões ainda pouco discutidas.
Entre os narradores estão as quilombolas Leonarda e Vitalina Mamoré, Dona Goia e Sr. Goio, além de Rose Terres, João da Granja, Ari Ribeiro, Jorge Kalpatez, Ely Buarque de Holanda e Mari Vieira. Alguns dos entrevistados faleceram meses após as gravações, tornando o registro ainda mais significativo para a memória local.
O roteiro é resultado de uma pesquisa de doutorado realizada por Luiz Borges na Universidade de Brasília (UnB). O filme foi viabilizado pela Lei Paulo Gustavo e, após o lançamento, estará disponível gratuitamente no YouTube, como forma de reconhecimento e valorização da Aldeia Velha e de seus moradores.