Videogames retardam envelhecimento do cérebro, aponta estudo
Videogames vão além do entretenimento e podem ajudar a manter o cérebro jovem. Estudos científicos indicam que jogos complexos estimulam memória, foco e velocidade de raciocínio. Pesquisas publicadas na revista Nature Communications mostram que atividades cognitivamente desafiadoras, como videogames de estratégia, estão associadas a um envelhecimento cerebral mais lento.
Jogos eletrônicos exigem tomada rápida de decisões, atenção constante e adaptação a cenários dinâmicos. Essas características estimulam habilidades cognitivas usadas no cotidiano, como raciocínio lógico, memória de trabalho e percepção visual, funcionando como um treino mental contínuo.
Segundo a jornalista científica Gemma Conroy, em matéria publicada na Nature, atividades criativas e cognitivamente exigentes podem retardar o envelhecimento do cérebro em nível molecular. O estudo analisou dados de 1.240 participantes de 10 países e revelou que pessoas engajadas nessas práticas apresentaram cérebros biologicamente mais jovens do que suas idades reais.
Os pesquisadores utilizaram “relógios cerebrais”, modelos de aprendizado de máquina baseados em neuroimagem, para comparar idade cronológica e idade cerebral. Os resultados mostraram aumento significativo das conexões neuronais em regiões mais vulneráveis ao envelhecimento entre os participantes mais ativos cognitivamente.
Além de atividades como dança e música, o estudo também avaliou o impacto dos videogames. Um grupo de voluntários foi treinado para jogar StarCraft II, um jogo de estratégia em tempo real. Após algumas semanas, os iniciantes apresentaram redução da idade cerebral estimada e melhora em testes de atenção e desempenho cognitivo.
O grupo de controle, que jogou um game menos complexo, não obteve os mesmos resultados. Para o neurocientista Agustín Ibáñez, da Universidade Adolfo Ibáñez, aprender uma nova habilidade desafiadora já é suficiente para gerar benefícios, sem a necessidade de experiência prévia ou talento excepcional.
Os dados reforçam que videogames, quando escolhidos de forma adequada, podem ser aliados importantes na manutenção da saúde cerebral ao longo da vida.